Psicologia, religião e práticas emergentes são tema de debate no Congresso Sergipano de Psicologia

 

Nesta quinta-feira, 23, o 4º Congresso Sergipano de Psicologia entrou no segundo dia  de  ‘Diálogos para o  futuro da profissão’,  com um debate sobre ‘Fronteiras entre psicologia e religião’ e ‘Fronteiras entre psicologia e práticas emergentes’.

“No primeiro dia tivemos diálogos no contexto social, com desafios que travamos nos últimos tempos. Hoje vamos tratar de diálogos muito pertinentes à psicologia, principalmente nos últimos anos. Diálogo da Psicologia com as diversas formas de religiosidade, pelo menos as mais expressivas na sociedade local, e também vamos tratar das Fronteiras da Psicologia com as práticas emergentes, que têm ocupado espaço semelhante aos que nos propomos ocupar, por vezes de uma maneira conflituosa, por vezes uma maneira muito harmônica. Então vamos ver como é que essas fronteiras acontecem, como elas podem se estabelecer de uma forma produtiva”, disse o psicólogo André Mandarino (CRP19/00565), Conselheiro Secretário no Conselho Regional de Psicologia de Sergipe – CRP19 e coordenador do evento.

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O primeiro debate, ‘Fronteiras entre psicologia e religião’, apresentou três diferentes abordagens. O psicólogo Jorge Antônio Rodrigues Barbosa (CRP19/00573), Pastor presbiteriano, em relato traçou a posição evangélica a partir de vivências acerca da psicologia e o  evangelho habitarem um único espaço.

“Não vou falar aqui da instituição evangélica, até porque a igreja evangélica é uma instituição é multi formatada, que tem desde comunidades mais à direita, no que diz respeito à visão de ser humano,  ética e da salvação de alguns desses seres humanos, até a extrema-esquerda, quando a visão fica muito mais social”, delineou.

“A partir da percepção de Cristo em relação ao ser humano e a percepção do psicodrama, de Moreno, em relação ao ser humano eu dialoguei tanto na faculdade, enquanto professor, quanto no consultório e na empresa.  Não encontro dificuldade com Deus estudando a Bíblia e também  não encontro dificuldade para pensar a Psicologia. Essa possibilidade de olhar o ser humano com os dois olhos, psicologia e evangelho, está fazendo com que eu possa tabernacular com as pessoas, como fez Jesus. A minha proposta dentro do psicodrama, para trabalhar com a psicologia, é tornar o ser humano autor da sua história, não apenas repetidor de uma ideia que, muitas vezes, nem sabem como é que ela funciona”, pontuou

O Padre e psicólogo, Christiano Silvestre de Jesus (CRP19/1981), trouxe a percepção católica com duas questões:  é possível conciliar a psicologia e a religião? O psicólogo pode ter uma religião?

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“São questões que para quem é ministro religioso, dentro da academia, há dificuldade em responder, mas veja que coisa simples e onde começa essa situação. A palavra psique deriva do grego antigo e significa alma. Mas qual é a ciência que cuida da alma humana? E aqui começa um diálogo dialético entre teologia e Psicologia que trouxe muitos conflitos. Exemplo disso  é a esquizofrenia. Na Grécia antiga a pessoa que tinha esquizofrenia era tida com dom divino, na idade média como uma manifestação demoníaca. Veja que essa ideia de alma, até na compreensão da esquizofrenia, criou um grande problema”, falou.

“A minha experiência de tocar o sagrado na psicologia começou com livro neuroanatomia funcional, essa experiência subjetiva, apresentei trabalhos objetivos que afirmam a possibilidade do diálogo entre ciência e religião”, completou.

A Ialorixá e psicóloga Jouse Mara Ferreira Santos (CRP19/00850), marcou a oposição da religião de  matriz africana.  

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“No meu campo de saber, para as pessoas pretas e, principalmente pessoas pretas de terreiro, o psicólogo não consegue alcançar a subjetividade preta estilhaçada em diáspora,  infelizmente nem Freud e nenhum Jung suas análises estudaram em profundidade as subjetividades estilhaçadas  dos negros. Isso não sou eu quem digo, mas sim as inúmeras pesquisas que estão postas. Então, nós psicólogos, devemos mergulhar em profundidade no âmbito daquilo para que se destina a psicologia, nós precisamos avançar”, afirmou.  

“Eu acredito em  uma psicologia humana, ética e comprometida,  não na psicologia que é execra e mata. Acredito na psicologia que compreenda a amplitude territorial, situacional e histórico-cultural da sociedade, da coletividade, das comunidades e dos seus campos constituintes da singularidade e subjetividade”, completou.

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Fronteiras entre psicologia e práticas emergentes foi  a segunda mesa em debate. A temática ‘Tensionamentos no mercado de trabalho: psicologia, práticas integrativas e pseudociências’ foi abordada pela psicóloga Pesquisadora Lidiane de Melo Drapala(CRP19/1664).

“Para falar sobre esse assunto é preciso relembrar sobre filosofia, ciência, sobre metodologia. Não  podemos falar sobre o que está acontecendo, as pseudociências e as práticas integrativas em relação com a psicologia, se não relembrarmos o que é fazer ciência, os tipos de conhecimento e de onde que vem essa diferenciação”, ressaltou.

O psicólogo Guilherme do Nascimento Caldeira (CRP19/563)  que abordou a temática ‘A quem pertence a psicoterapia?’,  lembrou que o Conselho Federal de Psicologia-CFP, abriu uma consulta pública para os psicólogos sobre  quem deve ter o direito a legitimidade profissional de atuar como psicoterapeuta.

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“Para além do resultado dessa pesquisa, essa é uma questão que deve demorar um bom tempo, talvez anos, até termos algum tipo de retorno legal. Nos idos de 1990 já havia discussão e  mobilização da classe com relação à exclusividade dessa prática”, aponta.

“Mas como delimitar, quem deve ter legitimidade para atuar na psicoterapia? Minha tentativa de dar uma luz a essa questão está em dois pontos:  o que é psicoterapia  e de onde surgiram os derivados  dessa prática? Começando com o conceito de psicoterapia, não há  consenso, o mais próximo disso é o que vai além de algumas características. E sobre de onde veio essa prática, talvez, se a gente tiver um recorte genealógico seja mais fácil entender para que lado ir e como delimitar os espaços”, argumentou.

O 4º Congresso Sergipano  de Psicologia é uma realização do Conselho Regional de Psicologia da 19ª Região- Sergipe e do curso de Psicologia da Uninassau Aracaju.// Com o tema ‘Discussões para o  futuro da profissão’, o  evento na modalidade híbrida acontece no auditório do Centro Universitário, em Aracaju, com transmissão simultânea nas redes sociais do CRP19, de forma inclusiva com  para a comunidade surda.

Assista na íntegra aos debates do segundo dia do 4º Congresso Sergipano de Psicologia

https://www.youtube.com/watch?v=nU2ntyFpePg

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