CRP19 finaliza debates do PRÉ-COREP

O Conselho Regional de Psicologia de Sergipe – 19a Região promoveu nos dias 24, 26 e 29 de janeiro, o PRÉ-COREP. O evento realizado 100% em ambiente virtual reuniu profissionais da Psicologia e estudantes de graduação e pós-graduação da área.

“O PRÉ-COREP tem como propósito elaborar propostas que serão encaminhadas e discutidas no Congresso Regional de Psicologia – COREP. Não é um congresso acadêmico, é sim deliberativo, no qual há a inserção das propostas e ideias de psicólogas e psicólogos que serão debatidos e, sendo aprovados nos COREPs, irão como propostas para o Congresso Nacional da Psicologia- CNP que vai discutir o norte que a profissão terá no período de 2023 a 2025”, explicou Naldson Melo Santos, Conselheiro Presidente do CRP19, na abertura da semana de evento.

“A gestão 2019-2022 está sendo regida pelas propostas que foram aprovadas no último CNP, em 2019. Obviamente, muitas propostas que foram deliberadas e aprovadas, não foram executadas. Um cenário comum aos Conselhos, federal e os 24 regionais, devido à pandemia que, por si só, já foi uma situação inesperada e fez com que precisássemos remodelar, reformular, pensar a psicologia diante desse processo pandêmico”, completou.

 

Tema central e eixos de discussão

Para 2022 o Congresso Nacional de Psicologia traz como tema "O Impacto Psicossocial da Pandemia: desafios e compromissos para a Psicologia Brasileira frente às desigualdades sociais". Os Conselhos Regionais promoveram debates focados em três eixos.

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No eixo 1, a proposta foi discutir a  ‘Organização Democrática e Participativa do Sistema Conselhos no Enfrentamento da Pandemia’. Naldson Melo Santos (CRP19/1210), Conselho Presidente do CRP19 e a Conselheira Camila Mireli Calaça de Sá (CRP19/3335), membro da coordenação o Grupo de Trabalho (GT) de Gênero e  Diversidade Sexual coordenaram os trabalhos.

“Sobre esse tema é importante pontuar que nessa gestão estive mais à frente do GT de Gênero, o qual vem conquistando espaços de representação em Conselhos Estaduais, a exemplo de combate à tortura, da criança e do adolescente, com projetos envolvidos na questão da psicologia escolar. Também estamos nos Conselhos Estadual da Mulher  e Estadual LGBT. Com isso, notamos que esse fazer político está organizado tanto no macro, como o Federal com os Conselhos Regionais, como também nas micropolíticas, com o alinhamento e funcionamento dos GT´s nesta via democrática. No que diz respeito à pandemia, se pegarmos emprestado do SUS, o controle social, um termo que foi bastante discutido no cenário pandêmico,  percebemos que também exercemos esse controle social no  âmbito micro e no macro”, enfatizou Calaça.

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No eixo 2, o desafio foi propor encaminhamentos sobre a ‘Defesa do Estado Democrático e dos Direitos Humanos via Políticas Públicas’. O Conselheiro Fernando Antônio Nascimento da Silva (CRP19/0600) e o Conselheiro Vice-Presidente, Jameson Pereira Silva (CRP19/0714), presidente da Comissão de Orientação de Fiscalização (COF), atuaram como facilitadores.

“A  nossa constituição, no seu artigo primeiro, versa que o Brasil é uma República Federativa formada pela união indissolúvel dos Estados,  dos municípios e do Distrito Federal, constituindo assim um estado democrático de direito. Se nós tivéssemos noção do que significa isso, seríamos menos subservientes e teríamos mais a condição de buscar os direitos daqueles menos privilegiados", pontuou Jameson Silva.

“Essa ideia de direitos humanos não vai fazer muito sentido em países como Finlândia e Dinamarca onde o direito à integridade das pessoas, políticas públicas de saúde, de emprego e diversidade são respeitados,  mas faz muito sentido em um país como o Brasil, com seu histórico de violência, que vem desde  o genocídio indígena e da escravidão dos negros. Violência essa que está emprenhada em nossa  cultura. E ainda achamos muito normal, principalmente uma coisa que é perpetrada pelo Estado. O estado brasileiro é um estado extremamente violento, que não está preocupado com questões ambientais ou o bem-estar de populações, a exemplo, dos quilombolas e LGBTQIA+. O Estado está dissociado da perspectiva da proteção do sujeito, da proteção do cidadão. Por isso, não se pode pensar em direitos humanos sem pensar em política, não existe uma dissociação”, provocou Fernando Antônio.

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‘O fazer ético e científico da Psicologia no trabalho em saúde mental’ foi  foco do debate no eixo 3. As discussões sobre as estratégias de ação foram coordenadas pelo Conselheiro Saulo Almeida (CRP19/2822), presidente da Comissão de Integração e Lidiane de Melo Drapala, psicóloga social (CRP19/1664), Assessora CREPOP/CRP19

“Nós como  trabalhadores precisamos ter um respaldo técnico e científico para nossa construção laboral, a nossa preparação, formação e o próprio cuidado com a nossa saúde mental. O eixo 3, quando fala do fazer ético-científico, traz  à tona a possibilidade de observarmos o nosso fazer, entender que algumas adaptações já foram construídas, realizadas, outras em parte.  Especialmente quando se fala em fundamentação,  acredito que nessa linha vamos começar  a pensar nas propostas e o que pode ainda avançar, do que pode ainda melhorar nesse fazer ético, pautando-se nas nossas normatizações, no nosso código de ética. Entendendo que a nossa vida  laboral vai passando por diversas adaptações, considerando o nosso contexto de trabalho muito mais informal, mais instável quanto a perspectiva do trabalho autônomo, em âmbito privado e até no âmbito público, com alguns projetos de lei que acabam sendo cogitados. É importante que possamos pensar onde estamos inseridos, para entender esse fazer. De forma crítica, refletir sobre essas ações, entender  o papel  do Sistema Conselhos, no que concerne às diretrizes, as orientações, quanto ao nosso fazer, as regulamentações e as próprias delimitações. E isso abarca todo fazer, em diversos contextos de trabalho”, expôs Saulo Almeida.  

 

Propostas e Delegadas(os) eleitas(os)

No PRÉ-COREP da segunda-feira, 24, no eixo 1 com a pauta ‘Organização Democrática e Participativa do Sistema Conselhos no Enfrentamento da Pandemia’, 11 propostas foram aprovadas e seis delegadas(os) eleitas(os), sendo duas psicólogas e quatro psicólogos.

Na quarta-feira, 26, após as discussões do eixo 2 que abordou  ‘Defesa do Estado Democrático e dos Direitos Humanos via Políticas Públicas’, 48 propostas foram aprovadas. Entre as(os) delegadas(os), cinco psicólogas, dois psicólogos e uma estudante de psicologia foram eleitas(os).  

No eixo 3, que debateu ‘O fazer ético e científico da Psicologia no trabalho em saúde mental’, houve consenso para 12 propostas. Para delegadas(os) foram eleitas(os) seis profissionais da Psicologia (três mulheres e três homens) e três estudantes (uma mulher e dois homens).

 

COREP

No Congresso Regional de Psicologia (COREP), marcado para o mês de abril de 2022, as (os) delegadas(os) irão apreciar, sistematizar e aprovar as  propostas que serão apresentadas na etapa nacional - Congresso Nacional de Psicologia. Ainda no COREP serão eleitas(os) as(os) delegadas(os) que irão participar do CNP.

No Congresso Regional de Psicologia há ainda espaço para inscrição das chapas que concorrerão à eleição do Conselho Regional de Psicologia de Sergipe- 19a Região.

 

 

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